domingo, 16 de junho de 2013

QUAL O EFEITO PRÁTICO DESTAS MANIFESTAÇÕES?

Prisões de manifestantes na frente da Prefeitura de São Paulo. Foto: Alex Solva/Estadão

Depois de um longo período sem publicar, devido à pura falta de tempo, por conta da correria do dia-a-dia, volto a publicar hoje, principalmente por conta de temas como as vaias e protestos na abertura da copa das confederações; os protestos no Rio de Janeiro e em São Paulo por menores preços das passagens e da maior qualidade dos transportes destas capitais, além é claro do debate sobre o tema criação de novos partidos políticos. Todos estes acontecimentos me incentivaram a expor aqui minha impressão pessoal sobre cada um deles.

Aproveitando a visibilidade com que eventos como o da Copa das confederações trás no mundo, manifestantes e sindicalistas do setor de transportes públicos promoveram durante a semana paralisações e protestos nas cidades do Rio de Janeiro e em São Paulo. Tais atos foram concebidos claramente com a intenção de forçar as autoridades públicas a repensarem o modelo e as condições de atendimento dos transportes públicos ofertados a população e nada mais impactante nestas horas do que aproveitar estes eventos para tornar refém qualquer autoridade pública que não querem manchar a imagem do seu governo no mundo, sim, porque a copa das confederações é um destes eventos que atraem olhares do mundo todo.

A mesma ótica tem de ser aplicada aos eventos promovidos por manifestantes em Brasília, em frente ao estádio Mané Garrincha, que enfrentaram a policia protestando contra a realização da copa no Brasil e dos gastos de dinheiro público na construção dos estádios.
Acompanhando as reportagens sobre estes atos me surpreendi em saber que se trata de um movimento liderado por professores do ensino médio e superior, e seguido por adoradores de marcas como Louis Vuitton e Gucci, frequentadores da boate Islã Privilegie; herdeiros de adoradores de Rolex.

E tempos de Faroeste caboclo do saudoso Renato Russo, em exibição nos cinemas de todo o Brasil, vendo isto lembrei outro sucesso da Legião Urbana da década de 80, Geração Coca-Cola, quando em um dos versos da canção o Renato Russo dizia: “somos burgueses sem religião; somos o futuro da nação; geração Coca-Cola.”.

As manifestações contra o aumento das passagens é liderada pelo movimento estudantil se intitula MPL – Movimento Passe Livre, se o movimento alcançar seu objetivo, antes de se tornar mais uma sigla partidária de aluguel do Brasil, sem dúvida nenhuma a população também colherá os frutos, mas gostaria de ver mais ousadia destes grupos e por isto gostaria de lançar aqui um desafio. Que tal, se ao invés de promoverem quebra quebras ao som de bandas punk do momento, não se propõe uma agenda de reivindicações permanentes com legisladores, governo e judiciário? Assim, talvez, poderíamos usufruir de melhores condições de vida em todo o País e para todos; melhores condições de trabalho nas cidades e no campo; mutirões contra a seca que avassala o nordeste; um novo modelo penitenciário; uma justiça mais rápida e justa, que julgue sem privilégios a A ou B; o fim da farra da criação de legendas políticas partidárias que são criadas somente para abocanhar dinheiro do fundo partidário.

Sem falar que este movimento que agora ganha destaque se omitiu em temas importantíssimos discutidos a bem pouco tempo pela sociedade brasileira. Deixaram de protestar contra as regras adotadas no julgamento do mensalão do PT, regras estas não aplicadas ao mensalão do PSDB em 98 em Minas Gerais; deixaram sem manifesto a criação do Partido Social Democrático – PSD, que recolheu até assinatura de mortos para oficializar sua criação; deixaram de protestar contra obras do PAC iniciadas e paradas devido a projetos mal elaborados em todo Pais; deixaram de protestar contra o congresso que trava pauta de votações importantes em prol do povo brasileiro para negociar benefícios próprios; deixaram de protestar contra setores da economia que mesmo obtendo ajuda do governo, como redução de IPI e outros benefícios fiscais, não reduziram seu preço final ao consumidor; deixaram de manifestar contra o sistema bancário nacional que cobra juros exorbitantes e desrespeita o cliente e os direitos do trabalhador.


Enfim, que a UNE reflita seu papel e que reconstrua sua história sem dependência de dinheiro público, com propostas eficientes e eficazes para debater uma sociedade mais justa e igualitária.

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