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| Prisões de manifestantes na frente da Prefeitura de São Paulo. Foto: Alex Solva/Estadão |
Depois de um longo período
sem publicar, devido à pura falta de tempo, por conta da correria do dia-a-dia,
volto a publicar hoje, principalmente por conta de temas como as vaias e
protestos na abertura da copa das confederações; os protestos no Rio de Janeiro
e em São Paulo por menores preços das passagens e da maior qualidade dos
transportes destas capitais, além é claro do debate sobre o tema criação de
novos partidos políticos. Todos estes acontecimentos me incentivaram a expor
aqui minha impressão pessoal sobre cada um deles.
Aproveitando a visibilidade
com que eventos como o da Copa das confederações trás no mundo, manifestantes e
sindicalistas do setor de transportes públicos promoveram durante a semana paralisações
e protestos nas cidades do Rio de Janeiro e em São Paulo. Tais atos foram
concebidos claramente com a intenção de forçar as autoridades públicas a
repensarem o modelo e as condições de atendimento dos transportes públicos
ofertados a população e nada mais impactante nestas horas do que aproveitar
estes eventos para tornar refém qualquer autoridade pública que não querem manchar
a imagem do seu governo no mundo, sim, porque a copa das confederações é um
destes eventos que atraem olhares do mundo todo.
A mesma ótica tem de ser
aplicada aos eventos promovidos por manifestantes em Brasília, em frente ao
estádio Mané Garrincha, que enfrentaram a policia protestando contra a
realização da copa no Brasil e dos gastos de dinheiro público na construção dos
estádios.
Acompanhando as reportagens
sobre estes atos me surpreendi em saber que se trata de um movimento liderado
por professores do ensino médio e superior, e seguido por adoradores de marcas
como Louis Vuitton e Gucci, frequentadores da boate Islã Privilegie; herdeiros de adoradores de Rolex.
E tempos de Faroeste caboclo do saudoso
Renato Russo, em exibição nos cinemas de todo o Brasil, vendo isto lembrei outro
sucesso da Legião Urbana da década de 80, Geração Coca-Cola, quando em um dos
versos da canção o Renato Russo dizia: “somos burgueses sem religião; somos o
futuro da nação; geração Coca-Cola.”.
As manifestações contra o aumento das
passagens é liderada pelo movimento estudantil se intitula MPL – Movimento Passe
Livre, se o movimento alcançar seu objetivo, antes de se tornar mais uma sigla
partidária de aluguel do Brasil, sem dúvida nenhuma a população também colherá
os frutos, mas gostaria de ver mais ousadia destes grupos e por isto gostaria
de lançar aqui um desafio. Que tal, se ao invés de promoverem quebra quebras ao
som de bandas punk do momento, não se propõe uma agenda de reivindicações
permanentes com legisladores, governo e judiciário? Assim, talvez, poderíamos
usufruir de melhores condições de vida em todo o País e para todos; melhores
condições de trabalho nas cidades e no campo; mutirões contra a seca que
avassala o nordeste; um novo modelo penitenciário; uma justiça mais rápida e
justa, que julgue sem privilégios a A ou B; o fim da farra da criação de
legendas políticas partidárias que são criadas somente para abocanhar dinheiro
do fundo partidário.
Sem falar que este movimento que agora
ganha destaque se omitiu em temas importantíssimos discutidos a bem pouco tempo
pela sociedade brasileira. Deixaram de protestar contra as regras adotadas no
julgamento do mensalão do PT, regras estas não aplicadas ao mensalão do PSDB em
98 em Minas Gerais; deixaram sem manifesto a criação do Partido Social
Democrático – PSD, que recolheu até assinatura de mortos para oficializar sua
criação; deixaram de protestar contra obras do PAC iniciadas e paradas devido a
projetos mal elaborados em todo Pais; deixaram de protestar contra o congresso
que trava pauta de votações importantes em prol do povo brasileiro para negociar
benefícios próprios; deixaram de protestar contra setores da economia que mesmo
obtendo ajuda do governo, como redução de IPI e outros benefícios fiscais, não
reduziram seu preço final ao consumidor; deixaram de manifestar contra o
sistema bancário nacional que cobra juros exorbitantes e desrespeita o cliente
e os direitos do trabalhador.
Enfim, que a UNE reflita seu papel e
que reconstrua sua história sem dependência de dinheiro público, com propostas
eficientes e eficazes para debater uma sociedade mais justa e igualitária.

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