segunda-feira, 10 de março de 2014

POR QUE QUANDO TEM A OPORTUNIDADE DE FAZER NÃO FAZ?





POR QUE QUANDO TEM A OPORTUNIDADE DE FAZER NÃO FAZ?

Por: Marcelo Pereira de Sousa


A fundação em 1993 da Ação da Cidadania pelo sociólogo Betinho é para muitos o divisor de água entre os governos do PSDB e do PT. O programa nasceu com a intenção de lutar pela vida e contra a miséria, combatendo a fome e o desemprego através da democratização da terra, não podemos nos iludir achando que a miséria foi vencida, mas, também não se pode negar a redução significativa do quadro de miséia no Brasil, só o fato do aumento do poderio de compra da população da classe C brasileira é um sintoma transparente desta realidade. Quem viveu a década de 90 sabe que era comum campanhas como “Todos contra Fome”, ou mesmo o “Fome Zero”.  Lembram? Tais campanhas tinham com objetivo maior proporcionar ajuda a chamada classe C brasileira, a mesma classe C que hoje compra.

Enquanto o sociólogo Betinho escancarava a situação da miséria do País para o mundo, o governo da época blindava-se das críticas sociais ao tipo de administração pública adotada, atrás do discurso da estabilidade da economia, da moeda forte, enfim, tal estabilidade econômica custou ao País a privatização das maiores estatais públicas brasileiras de telefonia; de eletricidade e de transportes ferroviários. Na época, usou-se a prerrogativa de que privatizadas, proporcionariam melhores prestações de serviços para a população. Ora, quem utiliza estes serviços hoje consegue perceber a precariedade dos serviços prestados pelas empresas que compõem estes segmentos privatizados. De quebra a maioria direitos dos trabalhadores, inclusive o direito a greve, foram cerceados, com a criação da Lei que instaura o interdito proibitório, que proíbe que o sindicato impeça o trabalhador de entrar na empresa em períodos de greve, aplicando-se pesadas multas aos sindicatos infratores, sem falar que o rendimento médio do trabalhador entre 1995 a 2002 teve um declínio de 18,8%, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE: 1991-2007, o que comprova que o Real teve sua plenitude em rendimento para os trabalhadores nos anos de 1994 e 1995.

A chegada do PT ao poder em 2002 significava para muitos a guinada política necessária ao crescimento do País. Embora, o sentimento elitista de uma parcela da sociedade brasileira, mesmo não sobrepondo o sentimento de uma maioria formada por segmentos sociais diversos, ainda teimavam em colocar em cheque tal acontecimento, não foram poucas as piadas feitas, principalmente em redes sociais, porém, o que se viu foi um deslanchar de popularidade do gestor em todo o mundo, alicerçado por programas sociais para a população de baixa renda, copiados hoje, por diversos países, e por uma conduta com paises internacionais conciliadora e firme, conseguiu avanços que possibilitaram ao País passar pela temida crise econômica de 2008 sem maiores riscos, além, de conseguir para o Brasil a realização de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que apesar das criticas aos gastos, proporcionam um considerável número de vagas de mão de obra para o País até suas realizações. O grande golpe surge com a denúncia do esquema denominado “mensalão”, esquema este, inclusive, já existente em 1998, ainda no governo do PSDB. A partir de 2010 o governo do PT veio com uma proposta mais técnica, a relação com o mundo já não tem mais os holofotes do período de 2002 a 2010, algumas áreas tiveram mais destaques gerando programas como o “Mais Médicos”, que talvez só peque por aceitar a parceria com Cuba nas condições acordadas, pois, o que se espera de um governo de trabalhadores é que se respeite igualdade ao direito ao trabalho e aos ganhos deste trabalho, mesmo com as criticas a economia, as taxas de juros, a necessidade de reformas, que aliás desde 1994 andou muito pouco, principalmente, devido a forma de atuar do congresso, além, das críticas aos eventos esportivos como a copa do mundo e as olimpíadas, que se realizarão no País, percebe-se que a manutenção dos programas sociais elencados de 2002 a 2010 mantêm pelo menos por enquanto, a possibilidade da manutenção do partido por mais 4 anos no poder.

Talvez o panorama descrito explique o porque da foto confiante relatada com indignação no portal UOL http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/03/10/brasil-pode-perder-chance-historica-de-se-livrar-da-sindrome-do-baixo-crescimento.htm. Não parece se tratar de alegria descabida, no máximo de uma certeza antecipada diante dos fatos e do que a oposição tem para ofertar para contrapor ao modelo político adotado e que vem sendo utilizado.

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