Herdeiros das Pernambucanas esperam por herança há 24 anos
Por Maíra Teixeira - iG São Paulo
Família e advogados não revelam
o motivo da predileção por Anita, mas pessoas do mercado varejista apontam
o tino comercial da herdeira majoritária e a proximidade da mãe.
Anita Louise Regina Harley, hoje vice-presidente da rede,
seria uma grande administradora, forjada nos moldes da mãe, avessa a badalações
e de vida reclusa. Na década de 1980, gigantes varejistas como Mappin e Sears
foram à falência no Brasil. Helena já era herdeira e trabalhava na parte da
antiga Casas Pernambucanas (fundada pelo seu pai, o sueco Herman Theodor
Ludgren, que abriu a primeira loja em 1908) que lhe coube após partilha da
companhia entre seus irmãos. Apenas o negócio tocado por ela sobrevive até os
dias de hoje. Foi nessa época que Anita começou a trabalhar com a mãe, assim
como Robert se envolveu nos negócios, enquanto Christina nunca se interessou.
Cinco netos de Helena (filhos de
Robert, morto em 1999) reclamam na Justiça pelo não pagamento de dividendos e
distribuição de ações. No testamento, há uma condição: a terceira geração só
poderia se apropriar de ações e dividendos após o último neto atingir a
maioridade, o que ocorreu em 2001. Os quatro filhos de Christina (morta em
2001) nunca moveram ações contra a tia ou pela herança. Anita não tem filhos.
Segundo o advogado dos filhos de
Robert, Taney Queiroz e Farias, a estimativa é de que seus clientes tenham
direito a R$ 650 milhões apenas em dividendos. Em 2013, uma decisão
unânime do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o repasse das ações a
cada um dos sobrinhos e o pagamento de dividendos gerados desde 2001, o que
nunca ocorreu. O advogado de Anita, Augusto Quinute, afirma que ainda cabe
recurso na decisão do STJ. "Tudo que for judicialmente determinado será
cumprido. O valor e quantitativo das ações só serão sabidos quando terminar o
inventário, o que está muito perto de ocorrer", explica Quinute.
Existem alguns processos na Justiça pela partilha e um
inventário que ainda não foi finalizado porque não foi concluída a avaliação da
centena de bens deixada pela matriarca. Recentemente, o advogado que representa
os cinco filhos de Robert nos processos movidos contra a tia, alegou que Anita
fez 66 procurações em nome de pessoas de sua confiança para abrir e fechar
contas, fazer e receber pagamentos, receber aluguéis de imóveis, entre outros
poderes.
"Procurações são provas cabais
de que há, pela tia, apropriação de bens e lucros. Há nessa senhora um
sentimento de onipotência e impunidade. O Conselho Nacional de Justiça vai
pedir a prestação de contas de cada uma delas [procurações]", afirma
o advogado representante dos sobrinhos.
O advogado de Anita, Augusto
Quinute, rebate: "A minha cliente é a administradora do inventário e
existem inúmeros bens, com contas que vencem que precisam de manutenção. Há
ainda os empregados que cuidam de imóveis, por exemplo. Como essas pessoas
teriam seus salários pagos se não houvesse representantes legais para
administrar um mundo de negócios e bens de natureza diferentes? É natural que
uma herdeira tenha funcionários de confiança para fazer a administração em seu
nome. Ou seria possível que um imóvel ficasse sem o pagamento de IPTU desde
1990 sem que houvesse prejuízo? Essa acusação dos sobrinhos não tem
lógica".
Segundo o advogado de Anita, essa
avaliação está próxima de ser finalizada. ”Os sobrinhos acharam que a disputa
judicial iria adiantar a partilha, mas perderam tempo. Toda movimentação
jurídica gerada pelos processos atrasa a finalização do inventário. É
lamentável que eles insistam nesse caminho”, afirma Quinute.
A Pernambucana esclarece que o
assunto compete exclusivamente a um dos acionistas da empresa e que não comenta
questões que os envolvam.
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